A Tubina
Aquela turbina exposta na banca da turma de Engenharia Mecatrónica levou-me de volta ao passado.
É curioso como o tempo se dobra assim, de repente. Ali estava ele, o meu filho, agora barbudo, observando atentamente como funcionam turbinas, aprendendo sobre a sua projeção… e, ao mesmo tempo, eu via-o de novo sentado no chão da sala, com apenas dois anos de idade.
O Rafael tinha dois anos quando desmontou, pela primeira vez, um brinquedo. Usou a pequena chave que vinha para colocar a bateria e, peça por peça, abriu-o como quem desvenda um segredo. Eu ralhei com ele. Aos meus olhos, ele estava a estragar o presente. Mas não, ele estava a tentar perceber como funcionava.
A partir daí, tornou-se hábito. Desmontar, explorar, voltar a montar. Era mais do que brincadeira; era curiosidade em estado puro.
Lembro-me de um aviãozinho vermelho que tocava música. Ele, de pijama azul e branco, concentrado, completamente absorvido naquilo. Havia visita em casa, a observar a cena. Nunca soube o que a pessoa que ofereceu o brinquedo pensou naquele momento.
Hoje, aquela pequena turbina, agora já não tão pequena. Um protótipo de algo maior. De algo que transporta pessoas pelo ar.